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A riqueza de Chiapas pintada num convento


San Cristóbal de Las Casas é uma cidade histórica, com um centrinho bem organizado, muitas lojinhas e restaurantes, bons hotéis e turistas por todos os lados. Bonita, aconchegante, receptiva, como vários dos pueblos mágicos mexicanos sabem ser. Mas San Cristóbal é diferente. O lugar tem uma aura de magia muito viva, pulsante. Dá para sentir a presença nítida de tradições, saberes e crenças muito antigos entranhados no cotidiano do povo da cidade. Há algo de místico e envolvente no ar, uma atmosfera que encanta, instiga e cobra uma certa reverência do forasteiro.


Durante dias percorri as ruas da cidade com a sensação de que aquelas pessoas viviam entre dois mundos, participando das atividades corriqueiras a que todos estamos acostumados e, ao mesmo tempo, engajadas em outra existência, num outro plano, guiadas por alguma outra lógica. Era um sentimento difícil de explicar. Ainda é. Mas ao visitar o Ex Convento San Agustín, hoje sede da Faculdade de Direito de Chiapas, eu consegui enxergar essa percepção que tanto me intrigava.


As paredes do auditório central exibiam enormes murais com cenas da vida, da história, dos sonhos e das noções de mundo do povo de Chiapas. As visões mitológicas, a relação com a natureza e com os animais, a gratidão ao alimento, a força e a divindade do feminino, estava tudo ali. Temáticas simples reunidas em um trabalho delicado, lindo e emocionante. As pinturas faziam parte do projeto “La Multiculturalidad de Chiapas Ex Convento San Agustín”, do coletivo de pintores e artistas maias Bonbajel Mayaetik. O objetivo do grupo, que existe desde 2004, é promover a riqueza cultural de Chiapas através das artes plásticas. Para mim, foi a tradução em imagens da essência de um lugar mágico e de seu povo especial.





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